Retrospectiva Antiga e Conexões 2022

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá, pessoal! Esperamos que este post os encontre bem!

É por ele que vamos, hoje, nos despedir do ano de 2022 e anunciar nossa ausência até o próximo ano. Para isso, gostaríamos de fazer uma breve retrospectiva de alguns momentos que marcaram esse período para o grupo e compartilhá-la com vocês. Afinal, vocês são fundamentais para que continuemos com esse ânimo em divulgar os estudos sobre Recepção e História Antiga!

Primeiro, gostaríamos de agradecer a todas e todos que se envolveram em nossa pesquisa temática, que esse ano se dedicou aos estudos sobre Recepção e Moda. Dando origem aos textos publicados aqui em nosso blog, pudemos também contar com a incrível parceria com o grupo de estudos sobre História da Moda da UFJF (@historiadamoda.ufjf), orientado pela Professora Doutora Maria Claudia Bonadio. Por fim, reunimos nossas produções escritas em um material final, uma coletânea que reuniu também imagens para podermos continuar refletindo sobre os impactos das imagens do passado na moda da atualidade!

Além disso, tivemos a alegria de receber professoras e professores em falas incríveis ao longo dos últimos semestres, as quais foram transmitidas por meio de nosso canal no Youtube! Entre nossos eventos, conseguimos a oportunidade de realizar a primeira edição do Percurso Antiga e Conexões, com o qual percorremos as ruas da cidade de Curitiba em busca dos sinais de recepção de gregos e romanos na modernidade paranaense por novas reflexões e discussões.

Por fim (e não menos importante), ficamos honrados em poder concretizar a parceria com a Professora Doutora Jane Kelly de Oliveira (UEPG), compartilhando as análises de seus estudantes acerca da “Recepção da Literatura Greco-Romana no Cinema“! Nessa mesma página de parcerias, reunimos também os materiais elaborados por alunas e alunos na disciplina de Laboratório de Ensino e Pesquisa em História Antiga II (DEHIS/UFPR), voltados para a presença de questões pompeianas e neopompeianas na atualidade.

Agradecemos a todas e todos os colegas, às professoras parceiras e a nossas e nossos leitores por este incrível ano juntos! Esperamos que possamos seguir com essa relação maravilhosa nos meses que se seguem, e que possamos compartilhar mais discussões sobre o mundo antigo e suas conexões com o presente!

Boas festas, bom descanso e até 2023!

Parceria – Recepção da Literatura Greco-Romana no Cinema – Parte II

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá, pessoal! Esperamos que estejam bem!

Hoje o post vai para a divulgação dos mais novos resultados da parceria entre o nosso grupo e a Professora Doutora Jane Kelly de Oliveira (UEPG)! Dando seguimento aos trabalhos cujo objetivo é analisar as repercussões de elementos literários greco-romanos no cinema, trazemos aqui mais alguns dos textos que resultaram da proposta. Abaixo, os quatro estudos redigidos pelas e pelos estudantes envolvidas e envolvidos poderão ser acessados e baixados em seus links específicos.

Aproveitamos a oportunidade para elogiar o trabalho empreendido por nossas e nossos colegas e agradecer pela oportunidade de continuarmos com essa cooperação. Parabéns e nosso muito obrigada!

Ensaios “Recepção da literatura clássica greco-romana no cinema” – Parte II

I – As Mil Faces do Herói em Percy Jackson: uma análise do herói moderno, de Gabriel Pedro Brigola. Link para acesso: https://drive.google.com/file/d/1BLEngZdPVu4dgfZkZmPIgOPc_BJkme4a/view?usp=sharing

II – Criação do Trágico em Lavoura Arcaica: uma breve comparação do romance e sua adaptação cinematográfica, de Mariana de Bona Santos. Link para acesso: https://drive.google.com/file/d/1An7pGKpk7Que399FXO4Vh5D0odYf4LN3/view?usp=sharing

III – Revisitando um Clássico Grego nos Tempos Modernos: OldBoy (2003) como releitura de Édipo Rei, de Rodrigo Paes. Link para acesso: https://drive.google.com/file/d/11Zv-Bx1jc2BAv3_5rKWqRa7eBfDL_jTp/view?usp=sharing

IV – Sappho – Summer Love: “devo seduzir e dar aos amores?”, de Felipe Kalinoski e Gisele F. Prado. Link para acesso: https://drive.google.com/file/d/1TPX-2oUbJk06LMOmftxxQA0H_lShErym/view?usp=sharing

Coletânea Antiga e Conexões – Recepção e Moda

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá, pessoal! Esperamos que estejam bem!

É com muita alegria que anunciamos a publicação do mais novo material Antiga e Conexões! Como encerramento das atividades desse ano, estamos divulgando a criação de nosso catálogo sobre Recepção e Moda. Ao reunir os textos publicados no blog, acrescentamos mais imagens às discussões de modo a atribuir maior visualidade à discussão proposta pelo grupo.

Esperamos que essa coletânea seja usufruída por vocês, aplicando em sala de aula, estudos ou na lista de leituras! Agradecemos imensamente o apoio de nossas e nossos leitores, bem como da professora Maria Claudia Bonadio (UFJF) – que coordena o grupo de estudos de história da moda dessa mesma instituição. Vocês foram fundamentais para a realização dos debates que deram a base dessa publicação.

Desejamos uma boa leitura, e até o próximo post!

Link para download do material: https://drive.google.com/file/d/1ugoZ49W8cntEnVr62zFVKcPTV36eX7K9/view?usp=sharing

Dicas de Leitura!

Olá, pessoal! Esperamos que estejam todos bem, hoje trouxemos algumas dicas de leituras dos nossos integrantes, se você tem interesse em història antiga e literatura, você provavelmente encontrará algo que lhe agrade para suas próximas leituras! A seguir:

“Os Deuses do Olimpo: da Antiguidade aos dias de hoje, as transformações dos deuses gregos ao longo da História” Bárbara Graziosi

As figuras da mitologia greco-romana são bons exemplos das recepções da Antiguidade! Em sua obra “Os Deuses do Olimpo”, a historiadora Barbara Graziosi, pesquisadora e professora da Universidade de Durham, faz um percurso sobre as divindades gregas, que nos alcançam até hoje, nas mais diversas formas. A autora reconta, de maneira inovadora, os mitos gregos e se propõe a explicar algo muito mais enigmático: como os deuses do Olimpo conseguiram durar mais do que seus seguidores? Sua obra apresenta, inicialmente, a história das divindades helênicas, desde seu nascimento, localizando-os na Grécia Arcaica a partir de Hesíodo e Homero. Adiante, porém, a autora segue os deuses até os dias de hoje, apresentando sua recepção no Renascimento e na conquista europeia nas Américas. Por fim, dedica-se a apresentar os usos da mitologia grega na contemporaneidade, passando por seu diálogo com as religiões monoteístas, transformações discursivas no Fascismo e Nazismo na Europa e representações na cultura pop e nas artes, por exemplo. Dividido em seis partes, o livro de Graziosi caminha do culto aos deuses no período arcaico (c. 800 a 500 AEC) até as suas recepções na cultura e sociedade atuais. Mostrando, assim, que os deuses gregos figuram na História e também ajudam a moldá-la.

GRAZIOSI, Barbara. Os Deuses do Olimpo: da Antiguidade aos dias de hoje, as transformações dos deuses gregos ao longo da História. Tradução:  Claudia Gerpe Duarte; Eduardo Gerpe Duarte. São Paulo: Cultrix, 2016.

(Tradução de “Gods of Olympus: A history. London: Profile Books, 2014”)

“A Egiptomania e os Usos do Passado” Leandro Hecko

A obra do historiador Leandro Hecko, doutor em História pela Universidade Federal do Paraná (UFPR) e professor de História Antiga na Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS), propõe-se a contribuir para a leitura de aspectos do Antigo Egito legados à Contemporaneidade em diferentes formas e linguagens. Sua obra visa apresentar ferramentas de auxílio nas interpretações dos sentido e dos signos da Antiguidade Egípcia nos tempos atuais, dialogando com inúmeras representações: charges, arquitetura, arte funerária, réplicas artísticas, múmias, pirâmides, esfinges, filmes e liturgias. O autor inicia seu livro na busca em definir a egiptomania e o grande quadro que ela compõe na contemporaneidade, busca ainda pelas formas como os antigos egípcios ingressaram nas realidades brasileiras e apresenta a pluralidade temática e de formas de manifestação da egiptomania no Brasil. Assim, Hecko insere a egiptomania no amplo panorama de usos da Antiguidade, permitindo-se, inclusive, fazer uma viagem a Curitiba para definir um recorte de estudos no Museu Egípcio e Rosacruz. Nesse recorte, entende a Ordem Rosacruz como apropriadora de conhecimentos da antiguidade e, portanto, inserida entre instituições que fazem usos das recepções, além de tentar identificar os sentimentos manifestados pelos visitantes do museu curitibano quanto às relações entre o Brasil Contemporâneo e o Antigo Egito.

HECKO, Leandro. A Egiptomania e os Usos do Passado. Campo Grande: Editora UFMS, 2016.

  • Felipe Ruzende.

METAFORMOSES DE PAULO LEMINSKI

Pensando de um ponto de vista voltado para a literatura, indico a obra Metaformoses do poeta paranaense Paulo Leminski. Publicada postumamente em 1994, pela editora Iluminuras, conta com um prefácio de Alice Ruiz e com notas de Régis Bonvicino. A presença da antiguidade na obra de Leminski é bastante notada em suas poesias, ensaios e até mesmo traduções, ler Leminski além de ser incrivelmente divertido, é um exercício de alteridade, uma viagem entre culturas, temporalidades e referências; você pode encontrar de poesia russa e antiguidade até o Japão no período do Xogunato.

Metaformoses, sendo uma das obras menos conhecidas do poeta, no entanto, vale a pena ser lida e divulgada, nela, como em toda obra do poeta, encontramos uma infinidade de referências. Assim como em O Catatau, Leminski segue um estilo de prosa poética experimental, na qual ele retoma a obra Metamorfoses de Ovídio, trazendo a mudança como  elemento principal. Através de um olhar de Narciso ele nos leva a refletir a mitologia, a escrita e vida em sua matéria mais pura. Fazendo várias alusões às passagens da poesia de Ovídio, Leminski brinca com a linguagem quase como em uma poesia concreta, ele transforma Ovídio e se transforma também, formas não faltam nessa poesia que se faz em prosa e que se faz fábula.

LEMINSKI, Paulo. Metaformoses: Uma viagem pelo imaginário grego. São Paulo, Iluminuras, 1994.

Os Madrazo e Fortuny: Do neoclássico espanhol à moda italiana. de Renata Senna Garrafoni 

No último semestre nós do antiga e conexões nos dedicamos ao estudo da recepção da antiguidade na moda. Então, uma das dicas mais interessantes que trazemos hoje é do capítulo escrito pela Professora Dra. Renata Senna Garraffoni, para o livro História Ibérica: ensino, pesquisa e potencialidades, denominado Os Madrazo e Fortuny: Do neoclássico espanhol à moda italiana. Sobre o capítulo, deixo aqui as palavras da autora:

“Neste capítulo, analiso, do ponto de vista interdisciplinar, a relação entre História Antiga, História da Arte e Arqueologia Clássica para criar meios de compreender as camadas temporais entre dois presentes distintos – nosso ao propor a questão, de Fortuny para compreender suas escolhas – e o passado greco-romano. Um desafio, por certo, mas que nos estimula a pensar, como já propôs Lowenthal (1985), como a Modernidade se constrói a partir de manejos múltiplos dos passados.”

O capítulo está disponível no Academia.edu, deixaremos o Link disponível ao final para que possam acessar. Indicamos também, o site da editora para que os que se interessem possam adquirir o livro, organizado por Cláudio Umpierre Carlan, Pedro Paulo A. Funari e Ricardo Luiz de Souza, vocês encontraram diversas temáticas que com certeza irão conquistar aqueles que gostam do tema de História Ibérica.

Link academia.edu: 

https://www.academia.edu/90997609/Hist%C3%B3ria_Ib%C3%A9rica_ensino_pesquisa_e_potencialidades?source=swp_share

Link editora:

  • Renata C. Oliveira

As versões homéricas (Jorge Luís Borges)

Como dica de leitura, deixo aqui um ensaio de caráter mais teórico que é bastante sucinto mas ao mesmo tempo interessantemente denso do autor argentino Jorge Luis Borges para aqueles que, de uma forma geral, manifestam interesse ou trabalham com literatura e, mais especificamente, traduções. O texto em questão, “As versões homéricas”, ou, “Las versiones homericas” no original em espanhol, nos traz algumas perspectivas fundamentais acerca dos processos que atravessam o ato de traduzir. Borges, como próprio tradutor e escritor, aproveita muito bem de sua experiência para entregar um texto que considero que deva ser um “companheiro” de trabalho, menos para aqueles que traduzem mas mais para quem trabalha com fontes históricas traduzidas. O ensaio foi originalmente publicado em 1932 na obra “Discusión”, podendo ser encontrado no original em espanhol na compilação “Jorge Luis Borges – Obras Completas (1923-1972)” da Editora Emecé. Em português, foi publicada pela Editora Globo em 1999 no Tomo 1 das “Obras Completas”.

Para transmitir o que se propõe, Borges se aproveita de Homero e analisa um pequeno trecho da Ilíada em diferentes versões encontradas na língua inglesa em traduções que vão desde o século XVIII até o século XX. A partir disso, expondo as encontradas variações, fundamenta o argumento de que Homero, (e aqui podemos estender a concepção para qualquer fonte textual antiga) não se trata de um documento imutável fixo ao passado, mas sim de um “fato móvel”, que toma forma conforme cada uma das recepções e traduções empreendidas por incontáveis leitores e autores ao longo do tempo. Dessa forma, Borges solidifica sua proposta por colocar a afirmação de que todas, ou então nenhuma, das traduções é a mais fiel, porque nunca houve um texto original desde Homero, mas sim diferentes interpretações da realidade conforme os contrastes de seus tempos.

BORGES, Jorge Luis. Obras completas: 1923-1972. Editado por Carlos V. Frías. Emecé Editores: Buenos Aires, 1984.

  • Guilherme Bohn dos Santos

“A canção de Aquiles”. Madeline Miller (2011)

Em A canção de Aquiles, a escritora e professora estadunidense Madeline Miller apresenta uma releitura da Ilíada, trazendo como narrador Pátroclo, personagem secundário na obra de Homero porém ao mesmo tempo indispensável ao enredo. Utilizando como base não apenas a Ilíada, mas também obras de autores gregos e romanos como Ésquilo e Virgílio, Miller reconta a vida de Aquiles e Pátroclo desde a infância até seu fim, em uma narrativa poética que tem como centro a relação entre esses personagens, lidando também com questões de gênero, sexualidade, entre outros. Os poemas homéricos, a Ilíada e a Odisséia, tiveram e ainda tem grande relevância; presentes até em expressões como “o calcanhar de aquiles”, eles fazem parte do nosso imaginário e durante séculos tem influenciado as mais diversas obras, de Ulisses de James Joyce ao filme Troia (2004) à versões infantis dos épicos, atestando assim a adaptabilidade dessas epopéias aos diferentes tempos e interpretações daqueles que os recontam. Dessa forma, A canção de Aquiles e Circe, segundo livro da autora, publicados em 2011 e 2018 respectivamente, são as versões de Miller desses poemas ressignificados para um novo público e fazem parte desse imenso conjunto de obras que releem e se inspiram nos poemas homéricos.

MILLER, Madeline. The song of Achilles. Nova York: Ecco, 2012.

  • Camila Iwahata

Antiga e Conexões pelo Brasil: Apresentações Nacionais

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexões.

Olá pessoal! Esperamos que estejam bem!

Na publicação de hoje damos continuidade aos relatos sobre nossas participações em eventos. Agora com apresentações e publicações de nossos integrantes em escala nacional, compartilhamos com vocês alguns dos nossos temas de pesquisa e reforçamos nosso convite para que nos acompanhem em próximos eventos. Trazemos, aqui, breves resumos desses trabalhos, de autoria de Heloisa Motelewski e de Guilherme Bohn dos Santos.

Esperamos que apreciem as temáticas, e agradecemos por nos acompanhar!

Orientalismo à romanidade? A criação da vilania antigo-oriental na modernidade em ‘Os Últimos Dias de Pompeia’, de Ambrosio (1913) – Heloisa Motelewski

XIX ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA: usos do passado, ética e negacionismos (ANPUH/SC) – agosto 2022.

Inspirada em um dos temas levantados por minha pesquisa de Iniciação Científica, essa apresentação versou sobre a formação de imagens orientais junto ao passado romano. Mobilizando um discurso moderno cinematográfico, pensei em como o personagem Arbaces era exibido como exemplo de vilão oriental, criando um estereótipo sobre o Oriente desde características como a corrupção, a degeneração e a degradação. 

Apresentação:

Link para acessar a página do Simpósio Temático: Link da página do Simpósio Temático: https://www.encontro2022.sc.anpuh.org/atividade/view?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNjoiYToxOntzOjEyOiJJRF9BVElWSURBREUiO3M6MzoiMTczIjt9IjtzOjE6ImgiO3M6MzI6ImRlZDVhMzllNjNkZGM1NDAxYjk3OWMzNDFiYTI4NTA5Ijt9&ID_ATIVIDADE=173

A Mística Egípcia, a Natureza e o Olhar Orientalizante: a mirada contemporânea sobre o passado romano dos cultos orientais sob a produção de Ambrosio (1913) – Heloisa Motelewski

6º SIMPÓSIO ELETRÔNICO DE HISTÓRIA ORIENTAL: mesa novas mídias e oriente – outubro 2022.

Um dos outros temas que apareceram junto aos problemas levantados pela minha pesquisa de Iniciação Científica, essa comunicação (apresentada de forma totalmente escrita) buscou analisar como os ideais de Natureza são acompanhados de um misticismo qualificado como oriental no filme estudado. Assim, parti do destaque conferido ao culto ilíaco a partir de uma investigação sobre a elaboração dos aspectos visuais da produção de Ambrosio. 

Link para acessar a comunicação escrita: https://simporiente2022mesas.blogspot.com/2022/09/a-mistica-egipcia-natureza-e-o-olhar.html

Link para acessar o livro publicado: https://drive.google.com/file/d/15fhwMuEBPWd2HRLzdQC-R3xcIs142kFN/view

As muitas identidades da vida pós-clássica do mundo antigo na obra de Borges pela figura de Homero – Guilherme Bohn dos Santos

XIX ENCONTRO ESTADUAL DE HISTÓRIA: usos do passado, ética e negacionismos (ANPUH/SC) – agosto 2022.

Pensando a finalização de um ano de iniciação científica, nessa apresentação busquei expor um apanhado geral das temáticas e abordagens que se desenvolveram no relativo período de trabalho.

Dessa forma, expus como o escritor argentino Jorge Luis Borges nos proporciona uma recepção do passado greco-romano que advoga por uma infinitude de interpretações ao olhar para os clássicos. Usando Homero como figura central de alguns contos, o escritor elaborou obras que importam aos próprios estudos da história antiga para pensar as transformações que a antiguidade passa até nossos dias, para isso, utilizou-se das temáticas da memória e das subjetividades. 

Link da apresentação: 

https://www.canva.com/design/DAFJsvkxZto/IZH2nnbJ3SdJFcjydO6Mlw/view?utm_content=DAFJsvkxZto&utm_campaign=designshare&utm_medium=link&utm_source=publishsharelink

Link da página do Simpósio Temático:

https://www.encontro2022.sc.anpuh.org/atividade/view?q=YToyOntzOjY6InBhcmFtcyI7czozNjoiYToxOntzOjEyOiJJRF9BVElWSURBREUiO3M6MzoiMTczIjt9IjtzOjE6ImgiO3M6MzI6ImRlZDVhMzllNjNkZGM1NDAxYjk3OWMzNDFiYTI4NTA5Ijt9&ID_ATIVIDADE=173

  • Heloisa Motelewski
  • Guilherme Bohn dos Santos

Antiga e Conexões pelo Mundo: Apresentações Internacionais

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá pessoal! Esperamos que estejam bem!

Estamos alegres em compartilhar com vocês as nossas experiências em eventos de abrangência nacional e internacional ao decorrer deste ano! Para isso, a nossa integrante Heloisa Motelewski e a professora orientadora do grupo Renata Senna Garraffoni farão, neste post, um breve relato sobre suas apresentações. Na próxima postagem, trazemos também breves resumos de comunicações e publicações veiculadas em meio nacional. Fiquem de olho! 

Esperamos que se interessem pelos temas e que nos acompanhem em eventos futuros!

I FÓRUM-ESTUDANTE DE ESTUDOS CLÁSSICOS E HUMANÍSTICOS DA UNIVERSIDADE DE COIMBRA (junho de 2022)

Com o título “Ambiguidades femininas da antiguidade à contemporaneidade: um estudo sobre a representação da mulher greco-romana em Os Últimos Dias de Pompeia, de Arturo Ambrosio (1913)”, tive a alegria que compartilhar alguns dos resultados que obtive com as primeiras pesquisas feitas junto ao Programa de Iniciação Científica da UFPR em um evento promovido de maneira híbrida pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. Escolhendo como recorte temático um dos problemas levantados ao decorrer dos meus estudos – a imagem feminina grega e romana -, decidi por me concentrar na construção da personagem Nídia para indicar algumas das minhas considerações. 

Nesse sentido, procurei demonstrar como uma narrativa romântica sobre a escravizada acaba por tecer um discurso de atuação para as mulheres da época do filme. Nele, o sacrifício final, envolto por virtudes gregas da personagem, contrasta com seus sentimentos fortes e de raiva, presentes em grande parte da narrativa por seus ciúmes de Glauco e Ione. 

Para isso, fiz uma análise acerca da construção dos elementos visuais da película, recuperando fontes arqueológicas da cidade de Pompeia e pinturas pompeianistas do século XIX. Ademais, a própria narrativa de Bulwer-Lytton (1834) me auxiliou a entender melhor as questões que se ligavam à Nídia. 

Deixo aqui os slides que usei na apresentação, bem como o link de acesso à página do evento. Espero que gostem do material e que as questões levantadas encontrem pertinência entre os estudos de recepção e suas reflexões sobre o mundo antigo!

Link para a página do evento: https://forumestudante2022.wixsite.com/i-feech2022

COLÓQUIO INTERNACIONAL – POMPEYA Y HERCULANO ENTRE DOS MUNDOS. LA RECEPCIÓN DE UN MITO EN ESPAÑA Y AMÉRICA (junho de 2022, no Museu Arqueológico Nacional de Madri).

O Colóquio marcou o encerramento das atividades de pesquisa realizadas entre os anos de 2020 e 2021 no âmbito do projeto Recepción e influjo de Pompeya y Herculano en España e Iberoamérica (PGC2018-093509-B-I00 financiado por: FEDER / MICIN– AEI), coordenado pela professora Mirella Romero Recio, da Universidade Carlos III em Madri. Entre os dias 08 e 10 de junho de 2022, os e as pesquisadores/as membros do projeto se reuniram no Museu Arqueológico Nacional de Madri para apresentar os resultados das pesquisas feitas em seus países de origem e no dia 11 fomos a Colmena de Oreja, cidade natal de Ulpiano Checa, para conhecer sua obra Os últimos dias de Pompeia. 
Como todo o projeto se desenvolveu remotamente dada a pandemia de coronavírus, o evento foi uma oportunidade de reencontro e momento de compartilhar as múltiplas experiências de recepção de Pompeia tanto na Espanha como em diferentes países da América Latina. Na ocasião, apresentei o texto “Pompeya y el Vesubio en la prensa de la Belle Époque de Rio de Janeiro”, ele será publicado na coleção da L’Erma, junto com os demais trabalhos apresentados, e todas as apresentações podem ser acessadas no canal Youtube do Museu Arqueológico de Madri. Deixo aqui o link de minha exposição, a partir dele, poderão acessar as demais falas:

O projeto RIPOMPHEI se encerrou em setembro de 2022, todos os dados podem ser acessados no site: https://humanidadesdigitales.uc3m.es/s/ripomphei/page/inicio_rimpophei;

no Instagram: @ripomphei

no Twitter:https://twitter.com/ripomphei?lang=es

A novidade é que o governo espanhol aprovou sua continuidade a partir de outubro de 2022, por mais dois anos. A diferença agora é que a equipe está maior, coordenada pela professora Mirella Romero Recio (Universidade Carlos III de Madri) e Jesús Sallas (Universidade Complutense de Madri), englobando a presença grega, passando a se chamar ANTIMO. Como é recente, de momento, já tem o Instagram – @proyectoantimo – e Twitter – proyectoantimo -. Sigam pelas redes as novidades, logo haverá, também, o site. 

  • Heloisa Motelewski
  • Profa. Dra. Renata Senna Garraffoni

Percurso Antiga e Conexões: uma análise das experiências modernas na cidade.

Olá pessoal, nesta publicação iremos apresentar um pouco sobre o percurso que realizamos no mês anterior. O texto a seguir é o resumo da apresentação que fizemos no evento Devorar Modernismos, da Universidade Federal do Paraná, no dia 08/11/2022.

Em 2022 surgiu a ideia de organizar um percurso sobre arquitetura neoclássica no centro de Curitiba, a partir de trabalhos já desenvolvidos pelo grupo sobre a presença dos antigos gregos e romanos na literatura paranaense dos séculos XIX e XX, tanto entre os simbolistas como também nas reflexões de Paulo Leminski no contexto dos anos 1970 e 1980. Notando que a presença da Antiguidade não se restringe à literatura, pensamos em conectá-la com o cenário urbano, tendo em vista a atuação desses poetas na cidade. Buscando cruzar as referências patrimoniais neoclássicas com as literárias, o roteiro Percurso Antiga e Conexões explora sentimentos que perpassam os espaços urbanos entre as diversas temporalidades.

Assim, o objetivo da presente comunicação é relatar a experiência da organização do roteiro e analisar sua repercussão. O roteiro, inspirado do caminho Afro-Curitiba, coordenado pela professora Joseli Mendonça (Dehis/UFPR), tem como público alvo estudantes do ensino fundamental, médio e de graduação e é composto de quatro paradas ao longo da caminhada à pé pelo centro: o Passeio Público, a Universidade Federal do Paraná (Prédio Histórico), o Paço da Liberdade, e o Largo da Ordem. A escolha se deu por serem espaços que condensam a presença da Antiguidade Clássica e, também, por se localizarem próximos uns dos outros, facilitando a logística do passeio.  O objetivo central da visita a esses lugares e da experiência de caminhar pelas ruas da cidade é contrapor as temporalidades e disparidades dentro do espaço urbano, ou seja, como experienciamos a cidade atualmente e como os simbolistas experienciaram-na durante o século passado, traçando o perfil de uma outra Modernidade, assim como de outras facetas de Curitiba. 

O fio condutor, portanto, é a literatura e cada um dos pontos selecionados cruzam o presente dos poetas e o passado greco-romano. Partindo do Passeio Público, dado sua importância para o Simbolismo, finalizamos no Largo da Ordem, para comentar as traduções e poesia contracultural de Leminski. O simbolismo, vanguarda menos conhecida, permite perceber uma outra Modernidade. Afinal, poetas locais produziam concomitantemente aos modernistas da semana de 1922, embora estivessem fora do movimento antropofágico, trouxeram elementos novos para o pensamento das identidades locais, como é o caso de Dario Vellozo e Emiliano Perneta no Paraná. Com ideias ideais republicanos, anticlericais e abolicionistas, o Simbolismo teve início em Curitiba no final do século XIX e continuou forte até meados de 1930. Como são poucos os estudos que fluem nessa direção, o roteiro visa colaborar para pensar o modernismo no Brasil em espaços fora do Rio de Janeiro e de São Paulo e, para tanto, trazemos a importância do flâneur à cena, como elemento que observa não só a cidade através do caminhar, como também as sensações que a cidade nos causa, os afetos e desafetos. Assim, buscamos entender a composição da malha urbana, entre locais de memória tidos como patrimônios, até os olhares para os elementos subalternos que rodeiam esses espaços. Nesse ponto a retomada de Leminski é fundamental, pois o poeta vivenciou o cenário urbano e, em sua obra poética, a cidade se faz presente com toda a visceralidade e marginalidade, assim como toda a beleza e toda a  história que a compõe.

A chave que une esses elementos é, desse modo, a retomada dos gregos e romanos, vistas na literatura simbolista, nas poesias contraculturais de Leminski e na arquitetura eclética dos espaços que circundam o setor histórico de Curitiba, que carregam fortes elementos neoclássicos. Entendemos que olhar para a presença dos gregos e romanos na poesia e arquitetura é perceber as diferentes facetas do modernismo e da modernidade em espaços outros, privilegiando os debates que percorrem os espaços urbanos. A partir do encontro entre temporalidades é possível discutir como os discursos hegemônicos se presentificam nos espaços e como rompê-los.

BIBLIOGRAFIA:

BEGA, M. T. S. Letras e política no Paraná – simbolistas e anticlericais na República Velha. Curitiba: Editora da UFPR, 2013.

GARRAFFONI, R. S. Recepção greco-romana em Curitiba: Literatura, Patrimônio e novas abordagens do centro histórico. Revista Memória em Rede, v. 12, n. 23, p. 222-244, 2020.

  • Autora:Renata Cristina S. de Oliveira
  • Coautora: Heloisa Motelewski

Entre colunas e pinheiros: A recepção da antiguidade nas obras paranistas de João Turin (1927-1930)

Casa Paranista

A dissertação apresentada é fruto do mestrado em História na Universidade Federal do Paraná, mas teve seu início ainda em meu primeiro ano de graduação – também em História – quando passei a desenvolver Iniciação Científica acerca da Recepção da Antiguidade na arte de João Turin, sob orientação da Profa. Dra. Renata Senna Garraffoni.

O trabalho se estrutura em três capítulos, cada qual com três subcapítulos, nos quais penso a presença da Antiguidade greco-romano no Paraná a partir das perspectivas textual, gráfica e material. Isto é, como fontes de pesquisa trabalhei com a revista Illustração Paranaense e com os manuscritos de João Turin, detendo-me a textos da revista e do escultor, as vinhetas ilustrativas Ânfora e Columna Paranaense presentes na Illustração Paranaense e, por fim, a Casa Paranista e o Salão Paranaense, criações de Turin.

O recorte temporal se dá nos últimos anos de 1920, os quais entendo serem os principais anos de expressão paranista, devido a publicação da Illustração Paranaense. O Movimento Paranista, pode ser pensado como um movimento identitário e regionalista, que ocorreu em Curitiba no início do século XX. Nele se deu início a urbanização da capital paranaense, a impressão de periódicos e criações artísticas com o intuito de exaltar o estado do Paraná. João Turin é considerado um dos principais artistas do movimento, devido a suas esculturas e desenhos com elementos paranaenses.

Entendo a Recepção da Antiguidade a partir dos autores Charles Martindale (1993) e Lorna Hardwick (2003), assim, trabalho com o conceito de Recepção de maneira bidirecional e dialógica. No caso, analiso a presença da Antiguidade no Paraná, pensando como essa é alterada pelos paranistas, ao mesmo tempo em que a cultura greco-romana altera a realidade de quem a pensa. Portanto, o uso do passado antigo é plural, mutável e não está distante de nossa contemporaneidade. 

No primeiro capítulo, intitulado de “A Recepção dos Clássicos e o Movimento Paranista”, busco responder perguntas essenciais sobre a Recepção da Antiguidade e sobre o Paranismo. Expondo meu entendimento acerca das diferentes formas pelas quais o passado foi e pode ser pensado. Trabalho minha perspectiva teórico-metodológica a partir dos Estudos de Recepção e busco analisar os tensionamentos realizados por paranistas e seus coetâneos entre a visualidade do que seria considerado antigo e moderno, dado João Turin, mesmo se inspirando no passado greco-romano, apresentar suas criações enquanto modernas. Por fim, questiono como os autores e autoras mais recentes sobre a temática do Paranismo, apresentam o Movimento, suas obras e a relação com a Antiguidade.

Em um segundo momento, no capítulo “A Recepção da Antiguidade nas páginas da Illustração Paranaense”, analiso a revista, sua importância no Movimento Paranista e como a Antiguidade é apresentada em suas páginas. Também ressalto a Recepção realizada a partir da mitologia e da presença da Ânfora Paranaense como vinheta ilustrativa. Nesse momento, mapeio como a Antiguidade é pensada na Illustração Paranaense e de que maneira essas discussões revelam o conhecimento paranista acerca do mundo antigo. Destinando, assim, um subcapítulo somente para a Ânfora Paranaense, pois esse é o elemento que mescla em sua composição a Antiguidade que mais aparece na revista.

Por fim, no último capítulo, “O Rei da Floresta como coluna do Paraná: o Pinheiro e a Columna Paranaense”, foco na obra da Columna e nos ideais e manuscritos de João Turin, a fim de entender o que representaria uma coluna antiga dentro do Movimento, como Turin pensava a Antiguidade e quais seriam suas motivações para realizar a recepção em suas obras. Ao observar críticas e tensionamentos do escultor sobre a arte e arquitetura paranaense e brasileira, analiso a criação e a recepção da Casa Paranista e do Salão Paranaense, ambos projetos de João Turin, na cidade de Curitiba

Na dissertação busco estabelecer novas discussões acerca da Antiguidade na obra de João Turin e na Illustração Paranaense, as quais possuem a potencialidade de explicar relações que até o presente momento foram pouco exploradas – como as motivações e objetivos da criação de obras como a Columna Paranaense. Nessa direção, acredito conseguir apresentar novas formas de pensar o Paranismo e, principalmente, de conhecer as perspectivas curitibanas acerca do mundo greco-romano em suas expressões artísticas e intelectuais. Por consequência, realizo também um trabalho que pretende contribuir para o campo dos estudos de Recepção no Brasil, visto analisar diferentes visões tecidas sobre o mundo antigo no país.

Link para acesso: 

Referências:

HARDWICK, Lorna. Reception Studies. Greece & Rome, New Surveys in the Classics. nº. 33. Oxford University Press, 2003.

MARTINDALE, Charles. Redeeming the text: Latin Poetry and the Hermeneutics of Reception. Cambridge: Cambridge University Press, 1993

Barbara Fonseca

Mestre em História pela UFPR, atualmente é residente técnica de História da SECC, lotada no Museu Paranaense.

Carnaval, Moda e Subversão

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá, pessoal! Para finalizarmos os textos relativos à recepção e moda, abordaremos hoje a questão da indumentária no Carnaval brasileiro…

Nessa festividade, permanece presente a recepção greco-romana e os diálogos com a Antiguidade. Afinal, as próprias origens do carnaval têm relações com os deuses – como o deus grego da sátira, Momo (Μώμος) – e celebrações antigas – como a Saturnália romana. Os costumes festivos e “desregrados” das festas a Saturno, caracterizavam-na pelo relaxamento da ordem social, mesmo clima adotado posteriormente pela folia do calendário cristão. Não à toa, as relações com a Antiguidade aparecem nas avenidas, revisitando, discutindo e reinterpretando o passado. Na pluralidade dos carnavais, os antigos são recuperados especialmente pelas imagens mitológicas que, ao estabelecer novas conexões, desestrutura e questiona o idealismo dos “clássicos” (SETTIS, 2006). Uma das formas que ocorre a evocação ao passado no carnaval é pela indumentária – os foliões encarnam deuses, guerreiros, reis e monstros através de suas roupas!

A Saturnália romana, gravura de John Reinhard Weguelin. Fonte: Wikimedia Commons.

Na análise do antropólogo britânico Daniel Miller (2013), o vestuário desempenha papel considerável na constituição das experiências particulares dos indivíduos. Assim, há uma vasta gama de relações possíveis entre o conceito de “eu”, a pessoa, e a indumentária – ou seja, assim como as indumentárias se transformam, os indivíduos também se modificam (MILLER, 2013, p. 61). Exemplo disso é que, durante as comemorações carnavalescas, as roupas (assim como os próprios foliões) são transformadas pelo espírito festivo, adquirindo significações diversas àquelas do cotidiano.

Durante as festas carnavalescas o vestir se torna polifônico, de modo que vários corpos de significados podem coexistir num mesmo indivíduo a partir das representações, das fantasias e do subversivo que incorporam (CUNHA JUNIOR et al, 2020, p. 391-392). O ápice dessa ludicidade insurgente do carnaval brasileiro é o desfile das escolas de samba. Seus destaques de luxo – com opulência e criatividade – emitem discursos políticos, interpretações, anseios e resistências populares. A partir do samba enredo (fio condutor do desfile) é feita a criação e a execução dos figurinos, os quais têm como foco adicionar aos demais elementos informações necessárias ao bom entendimento da história ali contada (BEIRÃO FILHO, 2015, p. 48). Não obstante, há de se cumprir uma série de quesitos predefinidos visando a avaliação dos jurados e premiação que tradicionalmente ocorrem nas maiores cidades do país.

Na avenida, a sexualidade – que cotidianamente costuma ser encobertada e velada (sobretudo aos corpos femininos) – é permitida e celebrada. A indumentária, que normalmente tem como papel pragmático “cobrir” a vergonhosa nudez e demarcar posições na sociedade, durante o carnaval se transforma em uma ferramenta de teatralidade. Os corpos são transpostos para uma outra dimensão: sensorial, cênica e utópica, como explanado por Foucault. “Quando a alegoria vira para exibição, ele deixa de ser indivíduo para ser elemento alegórico, personagem, ator, intérprete” (CUNHA JUNIOR et al, 2020, p. 398).

Ao longo do espaço coletivo da avenida transitam representações heterogêneas, permitindo (a partir das expressões artísticas) a subversão das ordens delimitadas em questões históricas, políticas, sociais, religiosas, sexuais, de gênero, etc. A indumentária das fantasias carnavalescas ratifica essa insubordinação dos enredos, permite a construção e desconstrução de identidades e, extrapolando a mera função estética, chega ao papel simbólico de comunicação (BEIRÃO FILHO, 2015, p. 48).

Questionamentos sociais tais como a relação entre gênero e moda ou os debates acerca dos direitos da comunidade LGBTQIA+ já eram levantados nos carnavais do século XX, sobretudo por figuras como Clóvis Bornay (1916-2005). Bornay – famoso artista carioca – revisitou os padrões de normatividade vigentes, expôs e celebrou as multiplicidades transitando livremente entre as fronteiras do masculino e feminino. Essas transgressões permeadas pela indumentária são características carnavalescas e expõem as rupturas com inúmeros estereótipos. Gênero, raça, sexualidade, metadiscursos e práticas sociais são questionados no Carnaval e, a partir das vestimentas e expressões artísticas, são repensados pelos grupos ditos “marginais” ou “subalternos”.

Criaturas marinhas e Poseidon representados em desfile da escola Acadêmicos de Portela, na Marquês de Sapucaí (2011). Fonte: Rodrigo Gorosito/G1.

Referências:

CUNHA JUNIOR, M. R. et al. Trava na beleza: imaginários sobre destaque de luxo de escola de samba. Policromias: Revista de Estudos do Discurso, Imagem e Som, Rio de Janeiro, p. 389-419, dez. 2020.

BEIRÃO FILHO, J. A. Moda e Carnaval: uma abordagem criativa. Revista Moda Palavra e-Periódico, Florianópolis, v. 8, n. 15, p. 35-58, jan./jul. 2015.

MILLER, D. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

SETTIS, S. The future of the “classical”. Cambridge: Polity Press, 2006.

  • Felipe Daniel Ruzene

Os Clássicos na Moda do Funk e do Rap – Texto 2: A Conquista da “Nike”

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexões.

Olá pessoal! Continuando sobre a recepção dos clássicos na moda do Funk e do Rap, hoje trataremos de outro caso, a Nike.

A Nike é uma marca de artigos esportivos fundada em 1972 por Bill Bowerman e Phil Knight no estado norte-americano do Oregon. É atualmente a maior fornecedora mundial de produtos do ramo, que vão desde indumentárias e acessórios para o dia-a-dia até esportes de alto nível. Quase que ao oposto da Versace, tratada no texto anterior, é destinada sobretudo ao público popular e usa muito pouco estampas em suas peças. Por outro lado, seu logo é ainda mais conhecido que a Medusa, o chamado Swoosh, apesar de não parecer, carrega junto do nome da marca uma recepção do passado clássico.

No mundo grego antigo, Nike foi a deusa que representava a “vitória”. Dentre as diferentes representações visuais da divindade, é bastante comum aparecer com um par de asas nas costas, e também carregando uma faixa, uma coroa, ou praticando o ato da libação, símbolos de prestígio pelas conquistas. A marca Nike, além de emprestar o nome de uma referência antiga, traz no seu logotipo uma estilização da asa da deusa, representando velocidade e ascensão.

Retornando ao mundo do Funk e do Rap, a Nike é uma marca usada com notável frequência pelos artistas principalmente por estar amplamente associada às culturas de “rua” e ao streetwear. Apesar de não figurar no mercado de luxo e ter maior relação com uma identidade estética, não deixa de representar as conquistas dos indivíduos através de peças como os chamados “tênis de mil”, entre eles, Air Max Plus, Air Max 97, Vapormax e Shox TL. Andar “virgulado”, ou com “a vírgula no pano”, apelido dado ao Swoosh pela semelhança com o sinal de pontuação, é sinônimo de estar bem vestido. Nas letras e títulos de músicas as citações são inúmeras, “Nikeboyzsport” de Yung Nobre, “Nike Bolha” de Danzo, “Máfia da Nike” de MC Davi e MC IG e “Nikes on my feet” de Mac Miller são exemplos.

Ainda, um dos mais emblemáticos usos visuais da imagem da Nike está presente no clipe da música de Rap Apeshit do casal Jay Z e Beyoncé. No vídeo, a temática propõe uma subversão dos valores elitistas da arte ocidental ao colocar os cantores e bailarinos negros em frente a obras expostas no museu do Louvre. Enquanto a canção fala sobre a ascensão dos artistas através do poder aquisitivo e as mudanças sociais que isso acarreta, o videoclipe faz o excelente papel de destacar corpos negros em contraste com espaços de identificação de uma ideologia dominante. Entretanto, o que chama atenção nesse caso, é que a Nike não aparece através das roupas, mas a deusa se materializa na estátua conhecida como Vitória de Samotrácia. Produzida em mármore entre os anos do período helenístico e descoberta somente em 1863, se encontra no topo da Escadaria Darú do Louvre. O fato de sua cabeça ainda não ter sido encontrada e assim estar exposta, ajuda no processo de desconstrução do clássico como cânone ocidental. A falta de um rosto para comparação ou “modelo” permite pensar um mundo antigo e seu usos recentes de forma multi-identitária.

Sendo assim, temos mais um exemplo bastante interessante da presença do passado clássico na nossa atualidade. Representando a vitória desde as culturas greco-romanas, o mito se transporta para a moda em uma marca extensamente difundida na cultura popular. A Nike continua protagonizando como símbolo da celebração de conquistas, dessa vez, no universo do Funk e do Rap.

Referências:

SETTIS, Salvatore. The Future of the ‘Classical’. Tradição de: Allan Cameron. Cambridge: Polity Press, 2006.

MILLER, D. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

  • Guilherme Bohn dos Santos