Construções do Passado, Armações do Presente

Richard Hingley – O Imperialismo Romano: Novas Perspectivas a partir da Bretanha
(Annablume, 2010)

A obra “O imperialismo romano: novas perspectivas a partir da Bretanha” é um compilado de quatro artigos, do professor Richard Hingley, publicado em 2010, no Brasil. Eles foram originalmente lançados durante as décadas de 1990 e 2000, e dialogam com o processo ocorrido nos anos que marcam a virada da República para Império: a “Romanização”, ou seja, a disseminação cultural e o aumento territorial romanos. Porém, a perspectiva de Hingley não é a mesma da historiografia tradicional, mas sim fruto do movimento pós-colonial, que despontou com Edward Said a partir da década de 1970.

O livro já abre com uma reflexão acerca da utilização que o Império Britânico fez, através de seus estudiosos e políticos, de Roma para sustentar suas aspirações imperialistas; assim como também sobre a variedade cultural existente, e apagada pela historiografia, no Império Romano – que ia muito além daquela das elites, contrapondo-se a ideia de aculturação total de nativos em todos os cantos do território romano. Depois, o livro encaminha para a questão da cultura material e as interpretações arqueológicas das quais é alvo, focando nos sítios romano-bretões. Adiante, vem um artigo que pode ser sumarizado com o nome deste blog: História Antiga e Conexões com o Presente. O ponto levantado por Hingley é sobre os Estudos Clássicos e como eles podem, e são, moldados para justificar discursos contemporâneos, por mais que para isso tenham que distorcer o passado. Por fim, tomando o monumento arqueológico “Muro de Adriano”, o historiador inglês aborda o abandono de temas que foram de grande importância para a construção de identidades, simbolismos e fronteiras, e a importância de suas retomadas, até mesmo para novas perspectivas de estudos.

Traduzidos para o português visando arejar os estudos de História Antiga no Brasil, esses artigos são muito interessantes para levar quem os lê a repensar os meios como são reproduzidos os discursos baseados num passado distante – seus interesses, métodos e apagamentos. Ainda por cima, a leitura é muito fluída e tranquila, não sendo necessário nenhum grande arcabouço teórico prévio para se compreender a mensagem de Hingley.

  • André S. N. Pinto

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