Considerações sobre a busca do antigo no Brasil

Pedro Paulo Funari possui ampla experiência em História Antiga e Arqueologia Histórica. Renata Senna Garraffoni, professora de História na UFPR, e parte do grupo deste site, ocupou-se com a relação entre os antigos e a modernidade. Nesse sentido, o texto “Considerações sobre a busca do Antigo no Brasil”, elaborado e escrito por Garraffoni e Funari, apresenta uma proposta reflexiva sobre o estudo da Antiguidade no Brasil, dando ênfase a uma nova perspectiva sobre o assunto. Segundo os autores, essas transformações ocorrem devido à quebra de uma percepção Imperialista europeia, que estigmatizava o “Oriente” como inferior a partir de concepções eurocêntricas. No cenário brasileiro, estes historiadores apontam para uma renovação do ensino de História Antiga no país. Segundo eles, o diálogo entre especialistas de diversas áreas é visível e crescente e colaborou para essa transformação nas abordagens.

A História Antiga, comentam, é discutida por profissionais brasileiros desde o início da década de 1960. No entanto, essa discussão neste momento não era muito aprofundada. Com o início da ditadura, políticas institucionais limitaram a atuação dos setores de Ciências Humanas, dificultando o já escasso estudo da Antiguidade. Garraffoni e Funari afirmam que, após a abertura política, novas perspectivas se apresentaram para o ensino da História Antiga. Eles apresentam, também, como debates foram essenciais para que se questionasse ideias e dicotomias já consolidadas na academia brasileira, como a noção de um “Mundo Ocidental” (europeu e civilizado), em oposição a um “Mundo Oriental” (bárbaro e inferior), como criticou e colocou em evidência o pensador Edward Said (1978) e também o conceito de “romanização”, problematizado por Richard Hingley (1996).

Finalmente, a proposta de se repensar o discurso historiográfico, tendo em mente a contextualização e ponderação sobre a produção de conhecimento, é exposta pelos autores. Segundo eles, podemos buscar distanciamento das tradicionais dicotomias utilizadas para explicar o mundo romano (civilizado/bárbaro, homem/mulher etc). Há a possibilidade, também, apontam, de buscarmos compreender e estudar como operam os usos políticos da antiguidade na atualidade.

Referência
FUNARI, Pedro Paulo; GARRAFFONI, Renata Senna. “Considerações sobre a busca do antigo no Brasil.” In: A Busca do Antigo. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2011.Referências

  • Mariana Fujikawa

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