Entrevista com o professor Paulo Martins

A entrevista de hoje é com Paulo Martins! Professor da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

Paulo Martins. Foto: acervo pessoal

Quando você decidiu que queria estudar o mundo antigo? Como foi esse processo?

Em meu primeiro vestibular, prestei duas universidades, na USP: História e no Mackenzie: Direito. Fui aprovado nos dois exames… Mas por questões econômicas decidi-me pelo Direito. A História e a literatura sempre me fascinaram e mesmo fazendo direito comecei a fazer cursos (sobre literatura antiga) com ex-professores meus do cursinho, que entraram na USP para dar aulas, Antônio Medina Rodrigues e Francisco Acchar, que se tornaram grandes amigos. Passados 2 anos de Direito achei que não dava mais para viver sem a Antiguidade e a Literatura. Prestei novamente vestibular em 1984 e passei para estudar Grego. Na época, podíamos escolher mais habilitações. Pensei então Grego e Inglês. Na aula de Grego, conheci João Angelo Oliva Neto, que acabara de se formar em Português e Inglês e agora partia para o Grego e o Latim. Ele, com sua particular eloquência, me convenceu a fazer o mesmo que ele. E lá fui eu. Nossa turma era Eu, João Angelo, Adriano Machado, Adriane Duarte, José Eduardo Lohner. Nossa veterana, Paula Corrêa… Nosso calouro, Marcos Martinho. Nosso colega ouvinte de Grego, Roberto Bolzani. Éramos uma boa turma.

Quais são os seus livros favoritos? (antigos ou contemporâneos sobre os antigos?

Os 4 livros de Propércio, Catulo, Horácio das Odes e da Arte Poética, Tácito dos Anais, Sêneca: Medeia e Fedra, Quintiliano, Algum Cícero (principalmente as obras retóricas) e Suetônio. Entre os gregos de cabeceira, Eurípides todo, Sófocles todo, O Agamemnon de Ésquilo, Aristóteles (Poética, Retórica e Ética a Nicômaco). Dos Modernos, Veyne na veia; Vernant tudo, Dumézil, Mito e Epopeia e Religião Arcaica Romana; Karl Galinsky, Roman Cuture; Kirk Freudenburg, meu grande amigo, The Walking Muse; meu querido colega de biblioteca no Phelps Hall em Yale, Ramsay MacMuellen, em Romanization in the Time of Augustus, Gian Biagio Conte, A Retórica da Imitação… há muito mais. No Brasil, João Angelo Oliva Neto, Pedro Paulo Funari e Norberto Guarinelo, todos grandes companheiros, colegas e amigos.

Quais são os seus temas atuais de pesquisa?

Propércio, estou tentando com o apoio do CNPq (enquanto existir) terminar a edição completa, traduzida e anotada.Écfrase e as interfaces do texto e da imagem.Cultura sob Augusto e seus Ecos no Império até o século III EC.

O que você deseja pesquisar no futuro? Algum tema em especial?

Se eu conseguir sobreviver a esses três temas, quero morar na praia sem muvuca.

Existe algum lugar que marcou a sua relação com o mundo greco-romano/antigo? Qual?

Lógico! Roma. Não há como não ficar tocado diante dos monumentos dessa cidade.

Qual é o seu personagem (ficcional ou não) favorito do mundo clássico/antigo? Por que?

Augusto é fascinante. Sua invenção: a República Restaurada, a que chamam Império é sensacional. A utilização “midiática” de imagens e textos é irrepreensível.

E, para finalizar, qual grego ou romano você chamaria pra um café? Sobre o que conversariam?

Penso num debate: Platão, Aristóteles e Cícero ia ser divertido. Mas no fundo, no fundo, queria saber tudinho de Calígula, ou se era só sacanagem do Suetônio…

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