Carnaval, Moda e Subversão

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá, pessoal! Para finalizarmos os textos relativos à recepção e moda, abordaremos hoje a questão da indumentária no Carnaval brasileiro…

Nessa festividade, permanece presente a recepção greco-romana e os diálogos com a Antiguidade. Afinal, as próprias origens do carnaval têm relações com os deuses – como o deus grego da sátira, Momo (Μώμος) – e celebrações antigas – como a Saturnália romana. Os costumes festivos e “desregrados” das festas a Saturno, caracterizavam-na pelo relaxamento da ordem social, mesmo clima adotado posteriormente pela folia do calendário cristão. Não à toa, as relações com a Antiguidade aparecem nas avenidas, revisitando, discutindo e reinterpretando o passado. Na pluralidade dos carnavais, os antigos são recuperados especialmente pelas imagens mitológicas que, ao estabelecer novas conexões, desestrutura e questiona o idealismo dos “clássicos” (SETTIS, 2006). Uma das formas que ocorre a evocação ao passado no carnaval é pela indumentária – os foliões encarnam deuses, guerreiros, reis e monstros através de suas roupas!

A Saturnália romana, gravura de John Reinhard Weguelin. Fonte: Wikimedia Commons.

Na análise do antropólogo britânico Daniel Miller (2013), o vestuário desempenha papel considerável na constituição das experiências particulares dos indivíduos. Assim, há uma vasta gama de relações possíveis entre o conceito de “eu”, a pessoa, e a indumentária – ou seja, assim como as indumentárias se transformam, os indivíduos também se modificam (MILLER, 2013, p. 61). Exemplo disso é que, durante as comemorações carnavalescas, as roupas (assim como os próprios foliões) são transformadas pelo espírito festivo, adquirindo significações diversas àquelas do cotidiano.

Durante as festas carnavalescas o vestir se torna polifônico, de modo que vários corpos de significados podem coexistir num mesmo indivíduo a partir das representações, das fantasias e do subversivo que incorporam (CUNHA JUNIOR et al, 2020, p. 391-392). O ápice dessa ludicidade insurgente do carnaval brasileiro é o desfile das escolas de samba. Seus destaques de luxo – com opulência e criatividade – emitem discursos políticos, interpretações, anseios e resistências populares. A partir do samba enredo (fio condutor do desfile) é feita a criação e a execução dos figurinos, os quais têm como foco adicionar aos demais elementos informações necessárias ao bom entendimento da história ali contada (BEIRÃO FILHO, 2015, p. 48). Não obstante, há de se cumprir uma série de quesitos predefinidos visando a avaliação dos jurados e premiação que tradicionalmente ocorrem nas maiores cidades do país.

Na avenida, a sexualidade – que cotidianamente costuma ser encobertada e velada (sobretudo aos corpos femininos) – é permitida e celebrada. A indumentária, que normalmente tem como papel pragmático “cobrir” a vergonhosa nudez e demarcar posições na sociedade, durante o carnaval se transforma em uma ferramenta de teatralidade. Os corpos são transpostos para uma outra dimensão: sensorial, cênica e utópica, como explanado por Foucault. “Quando a alegoria vira para exibição, ele deixa de ser indivíduo para ser elemento alegórico, personagem, ator, intérprete” (CUNHA JUNIOR et al, 2020, p. 398).

Ao longo do espaço coletivo da avenida transitam representações heterogêneas, permitindo (a partir das expressões artísticas) a subversão das ordens delimitadas em questões históricas, políticas, sociais, religiosas, sexuais, de gênero, etc. A indumentária das fantasias carnavalescas ratifica essa insubordinação dos enredos, permite a construção e desconstrução de identidades e, extrapolando a mera função estética, chega ao papel simbólico de comunicação (BEIRÃO FILHO, 2015, p. 48).

Questionamentos sociais tais como a relação entre gênero e moda ou os debates acerca dos direitos da comunidade LGBTQIA+ já eram levantados nos carnavais do século XX, sobretudo por figuras como Clóvis Bornay (1916-2005). Bornay – famoso artista carioca – revisitou os padrões de normatividade vigentes, expôs e celebrou as multiplicidades transitando livremente entre as fronteiras do masculino e feminino. Essas transgressões permeadas pela indumentária são características carnavalescas e expõem as rupturas com inúmeros estereótipos. Gênero, raça, sexualidade, metadiscursos e práticas sociais são questionados no Carnaval e, a partir das vestimentas e expressões artísticas, são repensados pelos grupos ditos “marginais” ou “subalternos”.

Criaturas marinhas e Poseidon representados em desfile da escola Acadêmicos de Portela, na Marquês de Sapucaí (2011). Fonte: Rodrigo Gorosito/G1.

Referências:

CUNHA JUNIOR, M. R. et al. Trava na beleza: imaginários sobre destaque de luxo de escola de samba. Policromias: Revista de Estudos do Discurso, Imagem e Som, Rio de Janeiro, p. 389-419, dez. 2020.

BEIRÃO FILHO, J. A. Moda e Carnaval: uma abordagem criativa. Revista Moda Palavra e-Periódico, Florianópolis, v. 8, n. 15, p. 35-58, jan./jul. 2015.

MILLER, D. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Tradução: Renato Aguiar. Rio de Janeiro: Zahar, 2013.

SETTIS, S. The future of the “classical”. Cambridge: Polity Press, 2006.

  • Felipe Daniel Ruzene

The New Goddesses: Performances Mitológicas à Moda Drag Queen

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Olá! Esperamos que esteja bem!

No texto de hoje daremos continuidade à questão das relações criadas entre a roupa e a performatividade, já trabalhada em outras publicações. Como já apresentado, sustentamos que há um rompimento quanto à noção de que as roupas são meramente superficiais, não detendo significados mais profusos sobre as individualidades. Pelo contrário, concebemos, seguindo a leitura de Miller (2013), como a vestimenta é um potencial mecanismo de exteriorização de partes de si em movimentos performativos instantâneos. Nessa linha, tomamos como ideia de performance a traçada por Zumthor (2007), ao se reconhecer a momentaneidade de suas manifestações, variantes em seus aspectos históricos, sociais e subjetivos, e submetidas aos processos criativos e comunicacionais de seus agentes. 

Por conseguinte, apreendemos como o ator performático extrapola os limiares da indumentária para se conectar com a totalidade corporal ao associar o interior com o exterior a partir de inscrições corporais delimitadas pela atuação social, como teoriza Butler (2003). Por essa mesma autora, notamos como as ideologias criadas em sociedade acerca das atuações pessoais, especificamente orientadas segundo concepções de gênero, acabam por passar às corporeidades em significações próprias em jogos com “ausências significantes” (BUTLER, 2003, p. 194) na construção de identidades. Em decorrência, os conceitos generificados, ilusórios por sua caracterização social imanente, acabam por se contrapor a atuações consideradas transgressoras, tais como a ação Drag. Por esse modo, tomamos como o objeto de análise desse texto as formas de evocação da Antiguidade por essas performatividades subversivas e jocosas sobre os padrões comportamentais, contrapondo sexo, gênero e performance, tal qual expõe a autora. 

De modo a fazer esse breve estudo, tomamos como documento a promoção da quinta temporada do reality show RuPaul Drag Race, um concurso norte-americano ao qual drag queens competem pelo título de Drag Queen Superstar. Nesse vídeo, visualizamos como o mundo antigo é encarnado em uma ruptura em relação aos ideais de gênero, recuperado especialmente por imagens mitológicas e destacando-se na expressão visual pela indumentária. Desse modo, averiguamos uma dissensão nas noções tradicionais do “Clássico”, uma definição repensada e rearticulada desde a diversidade inerente ao mundo antigo e às suas recepções, conforme retrata Settis (2006). Em concordância com esse modelo de apropriação não homogeneizante do passado, a montagem audiovisual traz alguns elementos inerentes ao passado de povos egípcios, indianos e até mesmo “espaciais”. Desestrutura, zomba e ironiza os ideais de gênero e de um passado greco-romano “clássico”. 

Para além disso, mencionamos essa fonte como sendo um exemplar das construções de novos significantes linguísticos acerca do mundo antigo, em especial a partir de recepções pós-modernas sobre o passado, em consonância com o examinado por Settis (2006). Afinal, o trailer respalda-se sobre evocações fragmentárias do passado e banaliza suas noções “tradicionais” ao aliá-lo a temas cotidianos, como a discoteca e as sungas douradas. Entretanto, ao mesmo tempo, ligam-se às retomadas modernas da Antiguidade, reconhecendo de forma consciente as posições dos componentes greco-romanos, egípcios e de demais povos antigos usados em sua criação – nomeadamente no vínculo entre seus conhecimentos sobre representações visuais de deusas mitológicas manifestadas em suas formas de vestir, com os fatores tomados como disruptivos na sociedade contemporânea. 

Tendo essas considerações em perspectiva, podemos concluir, enfim, como o mundo Drag Queen tem grande espaço no trato performativo crítico do mundo antigo, especialmente em imagens que refletem a variabilidade de situações nele encontradas. Ao revestir-se de elementos pós-modernos, transpondo aspectos do passado em fragmentos e vulgarizados, constituem, afinal, movimentos conscientes em seus discursos atuais, que, críticos às postulações sociais de gênero, encontram nas vestimentas uma forma máxima de expressão. 

Trailer de promoção. RuPaul’s Drag Race. 5a temporada.

Referências:

BUTLER, Judith. Problemas de gênero: feminismo e subversão da identidade. Tradução de: Renato Aguire. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2003. 

MILLER, Daniel. Por que a indumentária não é algo superficial. In: _____. Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. p. 21-65.

SETTIS, Salvatore. The Future of the ‘Classical’. Tradução de: Allan Cameron. Cambridge: Polity Press, 2006.

ZUMTHOR, Paul. Performance e Recepção. In: ______. Performance, recepção, leitura. Tradução de: Jerusa Pires Ferreira e Suely Fenerich. São Paulo: Cosac Naify, 2007. p. 45-60.

  • Heloisa Motelewski

Jean Paul Gaultier: Subversão do “Clássico” e do Corpo

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Jean Paul Gaultier é considerado um dos maiores estilistas da contemporaneidade. Desde o início da carreira na década de 1970, Gaultier tornou-se respeitado pelo seu uso de materiais não-convencionais e por suas subversões de vestimentas – como o icônico sutiã de Madonna e a saia masculina (kilt). Estas transgressões no uso da vestimenta são características do estilista, que prova e quebra determinados estereótipos de gênero a partir da vestimenta. 

Em sua coleção prêt-à-porter de 1999, Gaultier evoca a Antiguidade Clássica na passarela e na composição de suas roupas. Utilizando-se do artifício trompe d’oeil, um jogo de luzes e sombras do próprio tecido, o estilista reproduz imagens de estátuas de deusas antigas para criar um efeito de fragmentação – tanto do tecido como do próprio corpo representado. Um tema presente nesta coleção são as esculturas da Antiguidade Clássica, sempre representando mulheres. Na indumentária produzida por Gaultier, temos a representação em forma de imagem de um artefato arqueológico, a escultura. A representação na indumentária do artefato arqueológico opera um diálogo com a escultura, visto que esta é uma das formas de apreensão da moda do que se entende como o corpo, a moda e as texturas da Antiguidade Clássica.

Podemos entender o uso que Gaultier faz do modelo de escultura clássica em sua coleção prêt-à-porter a partir de duas perspectivas. A primeira é uma subversão da alta cultura, visto que esta, ao mesmo tempo em que define o parâmetro da moda, imediatamente descarta o uso de um item quando se torna popular. A biografia de Gaultier indica, dentro desta perspectiva, a busca por inspirações de diferentes movimentos culturais e estéticos populares, transformando sua própria alta costura em um receptáculo das formas daí advindas. Nesse sentido, JPG opera uma dessacralização da alta costura, incorporando o popular dentro dela. 

A segunda perspectiva diz respeito ao tratamento específico da escultura antiga e da retomada da Antiguidade realizada por Gaultier. A alta costura apropria-se do que é antigo como uma forma de demonstrar continuidade diante da efemeridade mercadológica de sua própria indústria e, ao fazer isso, também realiza uma leitura sobre essa Antiguidade, transformando-a em algo não-popular. JPG, por sua vez, brinca com estas ideias, dessacraliza também a Antiguidade Clássica trazendo-a para seu prêt-à-porter e transforma a relação com a nudez.

A sexualização exacerbada do corpo, especialmente feminino, que precisa constantemente ser coberto e controlado, é repensada a partir das esculturas antigas. Estas representam uma nudez natural e poderosa, transformando quem veste, em alguma medida, em uma representação em partes dessas deidades. Há uma subversão na lógica dos sentidos: a escultura, enquanto artefato, representa a nudez. A indumentária, por sua vez, é utilizada para “cobrir” a nudez do corpo, mas ao mesmo tempo representa uma nudez entendida como “clássica” – logo, ela cobre mas também revela certa potência na relação entre o corpo contemporâneo e o artefato antigo.

Além das esculturas, Gaultier utiliza-se da estética dos grafites antigos em algumas peças. O grafite, elemento comum tanto na Antiguidade como na contemporaneidade, pode ser entendido como uma referência imagética popular, trazendo mensagens como amor e safe sex (sexo seguro), demonstrando outras camadas de relação com o século XX. A partir destes exemplos, podemos entender o uso da Antiguidade Clássica nesta coleção de Gaultier a partir de uma noção de ciclo de tendências – a apropriação contemporânea funde-se aos mitos e significados contemporâneos, criando uma peça própria de seu tempo, mas com o objetivo de ser atemporal. Quem a veste, também pode inspirar em si uma própria aura de deidade e de poder. Tudo isso, entretanto, sem que as peças estejam dentro de um ideal inalcançável de alta moda – elas permanecem com seu caráter popular e pronto para vestir.

Referências

BESNARD, Tiphaine A. La Vénus de Milo  dans l’art contemporain (de 1980 à nos jours) :

une icône globalisée. In: thersites 13 (2021): Antiquipop, pp. 84 – 99.

RENAULT, Marnon. Antiquités et pop cultures dans la haute couture et le prêt-à-porter des années 2010. In : thersites 13 (2021) : Antiquipop, pp. 125 – 140.

  •  Ingrid Cristini Kroich Frandji

Entre Hades e o Inferno: Como o Metal Traduz a Antiguidade para o Presente

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Ao falar da antiguidade grega existe sempre um problema de conexões de como traduzir os temas dos mitos para uma audiência do século 21. Hades é um dos casos mais peculiares sendo o nome de ambos o deus do submundo grego e do próprio submundo, no curta-metragem de animação produzido pela Disney: A deusa da primavera (1939) o deus dos mortos aparece vestindo roupas vermelhas e chifres tendo uma aparência que remete as representações de satã, além do que o submundo aparece com vastos campos de fogo, criaturas que parecem demônios caricaturados sendo algo que remete muito ao inferno cristão. A representação mais famosa da Disney de Hades aparece porém em Hércules(1997) que apesar de usar a versão romana de seu nome uma vez que a escrita do semideus em grego era: Héracles é baseado na mitologia grega, o deus Hades é o principal vilão do filme e aparece como traiçoeiro e maquiavélico em seu papel como antagonista que visa usurpar o papel de rei dos deuses de seu irmão Zeus, a autenticidade do filme com a mitologia grega é questionável uma vez que Zeus mesmo aparece como um fiel e devoto pai de família, algo que qualquer pessoa que já leu algum mito grego acharia absurdo. Apesar de o filme não fazer explícitas associações entre o deus Hades e o diabo cristão, o filme ainda faz aproximações, em especial com Agonia e Pânico os lacaios do deus que novamente remetem a demônios cristãos caricaturados.

A associação de Hades com o diabo é algo comum e não é exclusivo nem da Disney nem do cinema. O mesmo ocorre nos videogames, por exemplo, na série God of War o deus é uma figura colossal, monstruosa e deformada com um elmo que apresenta chifres e um submundo encoberto por chamas, o Jogo Hades (2020) não difere dessa conexão onde em especial o segundo mundo Asphodel apresenta rios de lava, é descrito como “fedendo a enxofre”, apesar de o inferno ter diversas interpretações a discrição: “Fogo e enxofre” encontrada em especial no livro do apocalipse é a mais comum. No videogame Hades é então possível ver que apesar das diversas figuras gregas a aproximação do submundo com o inferno é perceptível, essa fusão que não escapou aos desenvolvedores, Darren Korb o compositor das músicas do jogo e dublador de Zagreus o protagonista do jogo disse “I wanted Hades to have a metal rock component because it’s in hell. It’s just right there for the taking” o que em uma tradução de minha autoria ficaria algo como: “Eu queria que Hades(o jogo) tivesse um componente de rock metal porque se passa no inferno. Faz todo sentido” chegamos então ao tema desse segmento a música e aqui vemos uma interessantíssima conexão a do inferno com o metal.

Tal conexão é pouquíssimo surpreendente, afinal o rock metal normalmente apresenta um profundo teor anticristão e em especial anticlerical, e o que pode ser mais anticlerical do que o diabo e o inferno? A antiguidade e em especial a mitologia também são elementos do metal em especial do Black Metal, Christodoulos Apergis discorre sobre isso no terceiro capítulo de Classical antiquity in heavy metal music, capítulo esse intitulado “Screaming Ancient Greek Hymns: The Case of Kawir and the Greek Black Metal Scene” explica que a associação com a mitologia e com os rituais pagãos gregos é necessário lembrar que a música tinha papel central nas praticas religiosas da antiga Grécia, os hymms referidos eram canções feitas para exaltar a glória dos heróis e deuses da mitologia. O Black metal, que comumente faz referências satanistas, torna mais aparente que ao tomar inspiração da mitologia grega tem a intenção de o fazer a partir da rejeição do cristianismo ao exaltar os rituais pagãos, e nesse ponto a relação do metal com do paganismo começa a fazer sentido se levadas pelo teor do anticristianismo encontrado no Black Metal.            

Até onde sabemos Darren Korb não teve a intenção de inserir um conteúdo explicitamente anticristão ao produzir a trilha sonora de Hades, porém ao o fazer ele bebe de todas essas questões e nesse ponto quando se ouve uma lira sendo harmonizada com uma guitarra elétrica após passar a frustração de morrer pelas mãos do minotauro pela centésima vez, possamos pensar em como nossas visões de passado e antiguidade também são permeadas por questões presentes, como as figuras mitológicas aparecem para nós e como a música possibilita fazer sentido a todas essas relações. E, ao ver que as associações de Hades com o diabo e do submundo com o inferno muito longe de naturais estão em um âmbito da recepção e do uso dos clássicos, é também possível entender nosso papel na construção dos sentidos que damos as coisas que parecem ser tão distantes.

Referências

APERGIS, Christodoulos. Screaming Ancient Greek Hymns: The Case of Kawir and the Greek Black Metal Scene. In: FLETCHER, K. F. B.; UMURHAN, Osman (Edição). Classical Antiquity in Heavy Metal Music. Londres: Bloomsbury Publishing, 2019. p. 77 – 96.

QUILLFELDT, Thomas. How rock band influenced hades’ soundtrack. Laced, 26 de Jan de 2021. Disponível em: <https://www.lacedrecords.co/blogs/news/how-rock-band-influenced-hades-soundtrack> Acesso em 10 de Nov. de 2021.

  • Vitor Gabriel Maidl

Live: Tradizer, Transcantar: Poesia Antiga no Presente

Boa tarde, pessoal! Esperamos que estejam bem!

Nós estamos preparando um evento super interessante para a próxima semana! É com muita alegria que recebemos Guilherme Gontijo Flores e Rodrigo Tadeu Gonçalves para a palestra “Tradizer, Transcantar: Poesia Antiga no Presente”, que acontecerá no dia 19/10, às 19h! Estão todas/os convidadas/os!

O formulário de inscrições pode ser acessado por esse link: https://docs.google.com/forms/d/e/1FAIpQLSfpZiP3fRDnDZyd2H18t3oclsw0gJ79Z_1G_N8ZQtKumHxJgw/viewform?usp=sf_link

Imagem: Divulgação

Antiga e Conexões Indica: Filmes do Cinema Mudo

Imagem: Divulgação.

Olá, pessoal! Esperamos que estejam bem!

Hoje gostaríamos de compartilhar com vocês nossas indicações sobre cinema! Para a finalização do nosso projeto sobre os estudos de recepção nas produções cinematográficas, preparamos uma listinha de recomendações especiais de filmes mudos com o enredo ligado à Antiguidade greco-romana. Repletos de drama, aventura, romance ou comédia, esperamos que façam vocês se divertir e apreciar essas leituras visuais excepcionais sobre o mundo antigo. Um bom filme!

Cabiria, de Giovanni Pastrone (1914)

Sinopse: Produção cinematográfica italiana, foi dirigida por Giovanni Pastrone em 1914. Seu enredo tem como ponto principal os conflitos entre romanos e cartagineses, especialmente expressos ao longo da história de vida de Cabiria, menina romana capturada por fenícios. É, certamente, um dos clássicos do cinema mudo italiano.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=KN4YszmBpLk

Imagem: Pôster de Cabiria, 1914.

Imagem: Pôster de Quo Vadis?, 1913.

Quo Vadis?, de Enrico Guazzoni (1913)

Sinopse: Por muitos considerado como um dos primeiros longa-metragens da história do cinema, o filme italiano, de direção de Enrico Guazzoni, foi produzido no ano de 1913. Sua narrativa está voltada ao governo de Nero, destacando-se em sua perspectiva sobre as histórias de martírio cristãs. 

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=irmfIbMgJrk

L’Odissea, de Francesco Bertolini (1911)

Sinopse: Adaptação cinematográfica da Odisseia de Homero, a produção, dirigida por Bertolini, Padovan e De Liguoro em 1911, é igualmente um dos exemplos da indústria cinematográfica italiana. Vale ressaltar, também, que foi um dos títulos que competiram na feira mundial “Turin International”, comemorando o aniversário de unificação italiana.

Imagem: Enquadramento da abertura de L’Odissea, 1911.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=PRGfVOlVbLQ

Imagem: Pôster de Three Ages, 1923.

The Three Ages, de Buster Keaton (1923)

Sinopse: Comédia de Buster Keaton, foi produzida pelo cinema estadunidense em 1923. Apresenta comparações divertidas entre as formas de amar no mundo pré-histórico, romano e moderno, revelando uma comicidade interessante sobre os dramas amorosos comuns ao cinema.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=_namYNU0wvQ

Ben Hur, a Tale of the Christ, de Fred Niblo (1925)

Sinopse: Inspirado no romance homônimo de Wallace (1880), o filme foi produzido nos Estados Unidos sob a direção de Fred Niblo. Aliando elementos romanos e cristãos, conta a conhecida história de Ben-Hur, príncipe judeu traído por seu amigo romano, Messala. Um ótimo filme para compreender os primeiros passos do cinema épico!

Link para acessar o filme: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ben_Hur_A_Tale_of_the_Christ_(1925).webm

Imagem: Pôster de Ben-Hur, a Tale of the Christ, 1925.

  • Heloisa Motelewski