Antiga e Conexões Indica: Filmes do Cinema Épico

Imagem: Divulgação.

Olá, pessoal! Esperamos que tenham gostado das dicas de filmes do cinema mudo, e que tenham conseguido assistir. No post de hoje preparamos mais algumas recomendações, mas desta vez incluímos alguns nomes do cinema épico. Esperamos que apreciem a seleção e tenham um bom momento assistindo aos filmes que retomam o passado greco-romano. Lembrando que nós do Antiga e Conexões produzimos uma coletânea de textos temáticos a respeito da recepção dos antigos no cinema.

Imagem: Pôster de Medea, 1969.

Medea, de Pier Paolo Pasolini (1969)

Sinopse: Dirigido por Paolo Pasolini, e estrelado por Maria Callas, o filme de 1969 retoma o mito de Medéia e Jasão retratando o roubo do velocino de ouro. A trama é cercada por dramas e acontecimentos épicos. Um bom filme para se distrair e entrar no mundo da mitologia através da ótica de Pasolini.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=3CVsrc7cu_o 

Messalina, de Vittorio Cottafavi (1960)

Sinopse: A trama se passa durante o século primeiro, após a morte de Calígula e da proclamação de Claudius como imperador, tendo então seu casamento arranjado com a jovem sedutora Messalina. Protagonizado por Belinda Lee, o enredo conta com mortes, vinganças e entre outros eventos dramáticos envolvendo a jovem.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=vKE9orT2Zsc

Imagem: Pôster de Messalina, 1960.
Imagem: Pôster de Cleopatra, 1963.

Cleopatra, de Joseph L. Mankiewicz (1963)

Sinopse: O drama é uma adaptação da obra de Carlo Maria Franzero, que conta a história da rainha Cleópatra, estrelado por Elizabeth Taylor e estreado em 1963, o filme americano ganhou grande notoriedade no período que foi lançado, sendo uma importante película do cinema épico americano.

Link para acessar o filme: https://ok.ru/video/947679463989

Os 300 de Esparta, de Rudolph Maté (1962)

Sinopse: O filme de 1962, trata da conhecida batalha das termópilas entre os gregos e os persas, a adaptação é estrelada por Richard Egan. Tal tema foi posteriormente adaptado por Zack Snyder em 2007, vale a pena conferir a película de 1962 e ver como tal tema foi adaptado em diferentes temporalidades.

Link para acessar o filme: https://ultracine.club/filme/os-300-de-esparta

Imagem: Pôster Os 300 de Esparta, 1962.
Imagem: Pôster do filme O Gigante da Maratona, 1959.

O Gigante de Maratona, de Jacques Tourneur  (1959)

Sinopse: A película de Jacques Tourneur conta a história do campeão Fidípides, que durante a primeira guerra médica defende Atenas na batalha de Maratona contra os invasores Persas. O filme é estrelado por Steve Reeves e foi lançado em 1959.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=wUxHcWEoX_A  

  • Renata Cristina Oliveira

Antiga e Conexões Indica: Filmes do Cinema Mudo

Imagem: Divulgação.

Olá, pessoal! Esperamos que estejam bem!

Hoje gostaríamos de compartilhar com vocês nossas indicações sobre cinema! Para a finalização do nosso projeto sobre os estudos de recepção nas produções cinematográficas, preparamos uma listinha de recomendações especiais de filmes mudos com o enredo ligado à Antiguidade greco-romana. Repletos de drama, aventura, romance ou comédia, esperamos que façam vocês se divertir e apreciar essas leituras visuais excepcionais sobre o mundo antigo. Um bom filme!

Cabiria, de Giovanni Pastrone (1914)

Sinopse: Produção cinematográfica italiana, foi dirigida por Giovanni Pastrone em 1914. Seu enredo tem como ponto principal os conflitos entre romanos e cartagineses, especialmente expressos ao longo da história de vida de Cabiria, menina romana capturada por fenícios. É, certamente, um dos clássicos do cinema mudo italiano.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=KN4YszmBpLk

Imagem: Pôster de Cabiria, 1914.

Imagem: Pôster de Quo Vadis?, 1913.

Quo Vadis?, de Enrico Guazzoni (1913)

Sinopse: Por muitos considerado como um dos primeiros longa-metragens da história do cinema, o filme italiano, de direção de Enrico Guazzoni, foi produzido no ano de 1913. Sua narrativa está voltada ao governo de Nero, destacando-se em sua perspectiva sobre as histórias de martírio cristãs. 

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=irmfIbMgJrk

L’Odissea, de Francesco Bertolini (1911)

Sinopse: Adaptação cinematográfica da Odisseia de Homero, a produção, dirigida por Bertolini, Padovan e De Liguoro em 1911, é igualmente um dos exemplos da indústria cinematográfica italiana. Vale ressaltar, também, que foi um dos títulos que competiram na feira mundial “Turin International”, comemorando o aniversário de unificação italiana.

Imagem: Enquadramento da abertura de L’Odissea, 1911.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=PRGfVOlVbLQ

Imagem: Pôster de Three Ages, 1923.

The Three Ages, de Buster Keaton (1923)

Sinopse: Comédia de Buster Keaton, foi produzida pelo cinema estadunidense em 1923. Apresenta comparações divertidas entre as formas de amar no mundo pré-histórico, romano e moderno, revelando uma comicidade interessante sobre os dramas amorosos comuns ao cinema.

Link para acessar o filme: https://www.youtube.com/watch?v=_namYNU0wvQ

Ben Hur, a Tale of the Christ, de Fred Niblo (1925)

Sinopse: Inspirado no romance homônimo de Wallace (1880), o filme foi produzido nos Estados Unidos sob a direção de Fred Niblo. Aliando elementos romanos e cristãos, conta a conhecida história de Ben-Hur, príncipe judeu traído por seu amigo romano, Messala. Um ótimo filme para compreender os primeiros passos do cinema épico!

Link para acessar o filme: https://commons.wikimedia.org/wiki/File:Ben_Hur_A_Tale_of_the_Christ_(1925).webm

Imagem: Pôster de Ben-Hur, a Tale of the Christ, 1925.

  • Heloisa Motelewski

Cinema e Recepção – Coletânea de Textos Temáticos

Olá, pessoal! Esperamos que estejam bem!

Semana passada publicamos nosso primeiro material, referente aos primeiros meses de trabalho deste ano. Hoje, divulgamos seu segundo volume, no qual reunimos as produções vinculadas à temática da recepção nas produções cinematográficas. Com elas, e seguindo a proposta do primeiro volume, anexamos imagens e dicas de leitura para uma maior interatividade. Assim, procuramos poder propagar nossos trabalhos, alcançando novos espaços de discussão e de estudos. Esperamos que todas e todos apreciem essa leitura!

Para acessar o material: https://issuu.com/antigaeconexoes/docs/publica_o_antiga_e_conex_es_-_vol._ii

E como mencionamos em nossas redes, também estamos disponibilizando as duas coletâneas para download, em formato pdf. Para acessá-los, é só clicar nos links abaixo:

Volume I – Recepção na Obra de Giorgio De Chirico: https://drive.google.com/file/d/1_M4386e7SolF1nYHtiBgz0lERrA4yI2z/view?usp=sharing

Volume II – Cinema e Recepção: https://drive.google.com/file/d/1mHNBZ-dFZcjM7DaP_ecYz6Rt6j-2_9aJ/view?usp=sharing

História Antiga, Arqueologia e o Ofício do Historiador no Ensino Médio

Hoje postamos um #tbt de quinta-feira passada, quando a professora Renata ministrou aula de maneira remota para os alunos do ensino médio do Colégio Unifev, no interior paulista.

O objetivo principal da aula foi realizar discussões sobre História Antiga, Arqueologia e a profissão do historiador e da historiadora com os alunos e alunas do Ensino Médio. Dessa maneira, além da exposição dos conteúdos, houve um momento apenas para responder questões sobre nosso ofício.

Reportagem do Jornal “A Cidade” de Votuporanga. Imagem: Divulgação.

Consideramos como importantíssima a interação entre os estudos acadêmicos e o Ensino Básico, afinal essa relação possibilita frutíferos avanços na expansão da História Antiga.

Para mais informações, o Jornal da cidade de Votuporanga publicou uma matéria sobre a aula. É só clicar aqui.

Fábio Duarte Joly

O entrevistado dessa semana é Fábio Duarte Joly, professor de História Antiga na Universidade Federal de Ouro Preto.

Fábio Duarte Joly. Foto Acervo pessoal.

Quando você decidiu que queria estudar o mundo antigo? Como foi esse processo?

Lembro que meu interesse pelo mundo antigo surgiu durante o ensino médio, com as aulas de História, e também pelo fato de meu pai, como professor de Filosofia, ter em casa livros de Platão e Aristóteles, que comecei a ler então. Depois, aos poucos fui adquirindo livros de História Antiga e de autores gregos e romanos, aprofundando assim meu interesse. Quando entrei na Universidade de São Paulo em 1994, para cursar História, já estava decidido a trilhar o estudo da História Antiga. A Iniciação Científica, sob orientação do professor Norberto Guarinello, foi uma etapa fundamental para o início da construção de um trajeto de pesquisa.

Quais são os seus livros favoritos? (antigos ou contemporâneos sobre os antigos)

São muitos, mas, dos antigos, Platão, Aristóteles, Tácito, Sêneca, Petrônio e Suetônio (esses quatro últimos com os quais trabalhei mais diretamente no mestrado e doutorado). Dos modernos, gosto das obras de M. Rostovtzeff, M. Finley, N. Guarinello e R. Syme, relevantes não só pela visão abrangente que têm da Antiguidade, mas ainda pelas relações que fazem com questões do mundo contemporâneo.

Quais são os seus temas atuais de pesquisa?

Estudo atualmente as relações entre liberdade, escravidão e cidadania de Augusto a Nero, uma pesquisa que é uma ampliação de meus estudos de doutorado.

O que você deseja pesquisar no futuro? Algum tema em especial?

Gostaria de estudar os diversos processos de escravização e escravidão no Mediterrâneo antigo de uma forma mais ampliada e comparada.

Existe algum lugar que marcou a sua relação com o mundo greco-romano/antigo? Qual?

Uma viagem à Inglaterra em 2003, para a pesquisa de doutorado, foi muito importante para essa relação, com a visita a museus e sítios arqueológicos. Uma visita a Roma em 2004, com idas a Pompeia e Óstia, também foi marcante.

Qual é o seu personagem (ficcional ou não) favorito do mundo clássico/antigo? Por quê?

Trimalcião, o rico liberto descrito no Satyricon, de Petrônio, por justamente embaralhar as fronteiras que estabelecemos entre ficção e realidade.

E, para finalizar, qual grego ou romano você chamaria pra um café? Sobre o que conversariam?

Talvez Tácito, para saber o que escrevera nas partes de suas obras históricas que não chegaram até nós.

Entrevista com Anderson Zalewski Vargas

Oi gente! Esperamos que todos estejam bem!
O entrevistado de hoje é Anderson Zalewski Vargas, professor do Departamento e Programa de Pós-graduação em História da UFRGS.

Anderson Zalewski Vargas. Foto: acervo pessoal.

Quando você decidiu que queria estudar o mundo antigo? Como foi esse processo?

De acordo com o folclore familiar, meu interesse pela Antiguidade é anterior ao meu letramento… da fase letrada, ainda tenho comigo os livros “Os últimos dias de Pompeia”, “Invasões Bárbaras”, de uma antiga coleção infanto-juvenil da Record.

Na universidade (UFRGS), meu interesse por Antiguidade data dos primeiros semestres, graças à professora Loiva Otero Félix, que montou um grupo de trabalho, incluindo monitoria e organização de eventos, o Simpósio de História Antiga, que durou até o início dos anos 2000. Apesar disso, meu mestrado foi sobre História de Porto Alegre. Logo fui chamado no concurso em que fui aprovado em 1988 e assumi as disciplinas de Antiga, dividindo o Setor com a colega Margaret Bakos. A partir daí, planejei o doutorado em Historiografia Antiga, na USP, sob orientação do prof. Francisco Murari Pires, concluído em 2001.

Quais são os seus livros favoritos? (antigos ou contemporâneos sobre os antigos)

“A História da Guerra dos Peloponésios e Atenienses”, de Tucídides. É um daqueles livros a serem relidos pela vida inteira, sempre apresentando possíveis novidades à medida que o tempo e as leituras passam. Heródoto, claro, em menor grau. As “Vidas Paralelas”, de Plutarco; Tito Lívio. Górgias, “Elogio de Helena” (que não canso de ler e usar em salas da graduação e pós) e o “Tratado do não-ente”. e o “Como se escreve a História”, de Luciano. Das tragédias, aprecio muito “Medeia” e “As bacantes” e particularmente a Oresteia. “Epopeia de Gilgamesh” é outra obra antiga que me fascina (assim como considerável parte da humanidade capaz de conhecê-lo).

No campo da historiografia, qualquer livro do Paul Veyne, que sempre me fascinou desde o início do mestrado, pela peculiar análise inteligente, por conciliar teoria com historiografia da Antiguidade, pelo seu espírito iconoclasta… quem mais poderia intitular um texto assim: “Conheceram os gregos a Democracia?”. Especificamente, destaco “Acreditavam os gregos em seus mitos?”, “Pão e circo” e a seção que ele escreveu na “História da Vida Privada”; e, apesar de ser um livro de teoria, não posso deixar de mencionar o “Como se escreve a História”, uma contraposição à lógica de Luciano . De Marcel Detienne, sempre apreciei “A invenção da mitologia”, por razões semelhantes às que me levaram a apreciar Paul Veyne.

Na linha dos escritos sobre os sofistas, aprecio muito o “Efeito sofístico”, de Barbara Cassin.

Quais são os seus temas atuais de pesquisa? 

Retórica e História da Recepção da Antiguidade.

O que você deseja pesquisar no futuro? Algum tema em especial?

Os citados acima pelo que permitem de reflexão teórica e mesmo aplicação metodológica capazes de interagir com a historiografia de forma geral, já que também me interesso por teoria. Pesquisando a produção jornalística e intelectual brasileira do século XIX me defronto com uma época em que a Antiguidade era a diferentemente significativa: era usada para pensar o tempo presente e para articular o futuro de uma forma fascinante, para além do eventual lustro intelectual hoje dominante.  

Existe algum lugar que marcou a sua relação com o mundo greco-romano/antigo? Qual?

A Turquia… contemplar o antigo Mar de Mármara e as esplêndidas ruínas das cidades antigas, incluindo o sítio de Troia, foi uma experiência extrema. A própria Istambul com seu mix de ruínas greco-latinas e islâmicas e aquele estreito a dividir as duas partes da metrópole. Mas creio que os Balcãs me reservam ainda boas experiências, pelo que pude conhecer da Bulgária recentemente. Aquela região muito me interessa.

Qual é o seu personagem (ficcional ou não) favorito do mundo clássico/antigo? Por que? 

Górgias..especialmente pelo “Elogio de Helena”..se ele realmente esteve na ágora ateniense a defender aquela personagem vilipendiada na forma daquele pequeno grande texto..seria um dos pontos altos da história antiga.

E, para finalizar, qual grego ou romano você chamaria pra um café? Sobre o que conversariam? 

Tucídides, certamente… conversaríamos sobre aquela visão tão admiravelmente soturna do humano que ele foi capaz de escrever.

Oficina “Jogo de percurso e Egito na sala de aula. Um desafio para a História Antiga.” com a professora Raquel Funari

Como #tbt de hoje, voltamos à terça-feira passada, dia 22/10, quando dispusemos na UFPR da presença da professora Raquel Funari com a oficina “Jogo de percurso e Egito na sala de aula. Um desafio para a História Antiga.”. Nessa, as alunas e alunos presentes desenvolveram jogos de tabuleiro sobre Egito Antigo a fim de conhecer e cumprir os desafios de trabalhar as competências socioemocionais da BNCC, bem como empatia, felicidade, autoestima, ética, paciência, autoconhecimento, confiança, responsabilidade, autonomia e criatividade.
A presença da professora Raquel é sempre ótima!

Nós precisamos falar sobre o sexto ano

Eu não sei quando foi a última vez que você esteve em uma turma de sexto ano, ou quantos anos você tinha quando isso ocorreu. Mas eu devo admitir que eles podem ser particularmente intimidadores: não se engane pelas carinhas fofas, os sextos anos são da pesada. Em geral, a relação entre os professores recém-formados e essas criaturinhas é marcada pelos extremos: ame ou odeie (odeie é uma palavra forte. Ame ou corra para as colinas talvez fosse mais adequado). O sexto ano não é blasé: eles não são adolescentes, e farão as perguntas mais inusitadas: “qual a cor do esmalte da Cleópatra?”; “mas e se um gladiador combinasse de não brigar com o outro?”; “os deuses gregos ainda existem?”; ao mesmo tempo em que se interessam pelo que você diz eles não terão receios em apontar incoerências na sua fala.

Mas estamos em um blog sobre a Antiguidade Clássica, por que falar sobre os alunos do ensino fundamental? Bem, se você tem algum interesse em divulgar o mundo antigo ou gosta da sua pesquisa eu acho que está na hora de você se preocupar com o público pré-adolescente. Em breve esse será o único momento em que boa parte da população terá um contato institucional / escolar com o mundo clássico. Com a aprovação das reformas do BNCC (Base Nacional Curricular Comum) e do Ensino Médio, o ensino de história deixou de ser obrigatório no Ensino Médio e passará a ser uma disciplina facultativa, exclusiva aos que se interessarem em cumprir créditos relativos ao tema. Ou seja, boa parte do aprendizado sobre Grécia e Roma deixará de ocorrer da forma como compreendemos, e estará, cada vez mais, delegada aos meios de comunicação e entretenimento: vídeo games, filmes, séries e canais do youtube, por exemplo.

Excluindo a discussão sobre a necessidade de divulgação de pesquisa nos meios digitais (tema para outro texto), eu me pergunto como iremos nos adaptar a esta nova conjuntura. Alunos no sexto ano têm, em média, onze anos, e portanto ainda não desenvolveram completamente o pensamento abstrato, motivo pelo qual as aulas tendem a ser voltadas muito mais para questões práticas do mundo antigo: o que os romanos comiam, como eles se vestiam, como era o teatro grego ou a divisão de uma domus romana. Ainda que estes temas sejam relevantes e adequados para a idade, não são suficientes para que eles tenham algum domínio sobre o passado clássico. E aqui nós temos um problema: como podemos, enquanto classicistas, professores e entusiastas do mundo antigo, atuar para que esta breve passagem no ensino fundamental não seja a única aproximação com a antiguidade? Infelizmente a realidade sobre o tema não é encorajadora, e termina com uma série de questões:  como podemos, conjuntamente, construir respostas para os problemas que se colocam? Como desenvolver ferramentas de ensino que favoreçam o engajamento de longo prazo sobre o mundo antigo? Como produzir materiais didáticos que destaquem a antiguidade como um tema relevante e que despertem o interesse destes alunos? Estes são alguns dos desafios que surgem em nosso horizonte. Por vezes tão acostumados ao silêncio das bibliotecas e espaços de pesquisa talvez tenhamos que nos atentar para os ruídos provenientes do sexto ano.

  • Lorena Pantaleão

Considerações sobre a busca do antigo no Brasil

Pedro Paulo Funari possui ampla experiência em História Antiga e Arqueologia Histórica. Renata Senna Garraffoni, professora de História na UFPR, e parte do grupo deste site, ocupou-se com a relação entre os antigos e a modernidade. Nesse sentido, o texto “Considerações sobre a busca do Antigo no Brasil”, elaborado e escrito por Garraffoni e Funari, apresenta uma proposta reflexiva sobre o estudo da Antiguidade no Brasil, dando ênfase a uma nova perspectiva sobre o assunto. Segundo os autores, essas transformações ocorrem devido à quebra de uma percepção Imperialista europeia, que estigmatizava o “Oriente” como inferior a partir de concepções eurocêntricas. No cenário brasileiro, estes historiadores apontam para uma renovação do ensino de História Antiga no país. Segundo eles, o diálogo entre especialistas de diversas áreas é visível e crescente e colaborou para essa transformação nas abordagens.

A História Antiga, comentam, é discutida por profissionais brasileiros desde o início da década de 1960. No entanto, essa discussão neste momento não era muito aprofundada. Com o início da ditadura, políticas institucionais limitaram a atuação dos setores de Ciências Humanas, dificultando o já escasso estudo da Antiguidade. Garraffoni e Funari afirmam que, após a abertura política, novas perspectivas se apresentaram para o ensino da História Antiga. Eles apresentam, também, como debates foram essenciais para que se questionasse ideias e dicotomias já consolidadas na academia brasileira, como a noção de um “Mundo Ocidental” (europeu e civilizado), em oposição a um “Mundo Oriental” (bárbaro e inferior), como criticou e colocou em evidência o pensador Edward Said (1978) e também o conceito de “romanização”, problematizado por Richard Hingley (1996).

Finalmente, a proposta de se repensar o discurso historiográfico, tendo em mente a contextualização e ponderação sobre a produção de conhecimento, é exposta pelos autores. Segundo eles, podemos buscar distanciamento das tradicionais dicotomias utilizadas para explicar o mundo romano (civilizado/bárbaro, homem/mulher etc). Há a possibilidade, também, apontam, de buscarmos compreender e estudar como operam os usos políticos da antiguidade na atualidade.

Referência
FUNARI, Pedro Paulo; GARRAFFONI, Renata Senna. “Considerações sobre a busca do antigo no Brasil.” In: A Busca do Antigo. Rio de Janeiro: NAU Editora, 2011.Referências

  • Mariana Fujikawa