Emma Hart e a Antiguidade como Performance

Imagem de divulgação. Instagram: @antigaeconexoes.

Olá, pessoal! Esperamos que todos estejam bem.

No texto anterior do eixo Moda e Recepção, tratamos sobre a antiguidade a partir da figura de Emma Hart, hoje daremos continuidade a temática, porém, dando enfoque nas performances de Emma. Para tanto, é interessante expor algumas informações biográficas de Hart.

Emma, nasceu na Inglaterra no século XVIII, perdeu o pai muito cedo e não teve acesso a uma educação formal. Desde mais nova demonstrava grande talento para a atuação, na infância, trabalhou em um teatro em Londres. Ademais, seus talentos artísticos não paravam somente na atuação, eram demonstrados pela música e pela dança, também. Ela teve seus primeiros contatos com a alta sociedade ao tornar-se amante de Charles Greville, entretanto, seu talento encantou a sociedade, muitos artistas se inspiraram em Emma para suas pinturas, levando-a a ser chamada a Nápoles por Sir William Hamilton, com que haveria de se casar mais tarde. Hamilton, era um aristocrata antiquarista, muito interessado nas nascentes escavações que aconteciam em Pompeia, e na cultura material greco-romana em geral.  No contexto, Hart inovou ao utilizar-se de elementos clássicos em suas vestimentas, sem que se transformasse em algo estático, ela deu vida para a antiguidade, através de sua atuação. 

As roupas fazem parte dos nossos modos de vida, podendo ter valor simbólico, espiritual, podem ser formas de expressão, e etc. Muitas coisas nos são possíveis de perceber a partir das vestimentas. Hart em suas performances adotou as vestimentas inspiradas na antiguidade, ao invés dos corpetes apertados, os tecidos mais leves e o drapeado foram utilizados. 

Performance e figurinos têm uma relação profunda, podemos estabelecer relações políticas e de transgressões muitas vezes expressas através das vestimentas, essas que ganham vida com a expressão do corpo, da voz, ritmo e outros elementos que fazem parte da performance. Paul Zumthor, nos elucida que a performance faz parte da comunicação oral, e através dela chegamos a forma do conteúdo expresso, ademais ela também pode ser vista como uma ‘emergência’ de um contexto, algo que se sobressai. A performance, como uma forma de expressão oral que se corporifica, não atua somente como transmissora de conhecimento, mas sim como transformadora deste.

Hart, ao performar a antiguidade em seu contexto, fez mais do que comportar-se como uma figura estática, ela produziu significados, e foi revolucionária na medida que lidou com um passado greco-romano vivo, fugindo de um ideal estático da antiguidade, ao invés de colocar o passado em um antiquário, Emma o trouxe para o seu presente e atuou a partir dele, se posicionando e ganhando seu espaço na sociedade da época. Hart foi uma figura excepcional, inspirou outras mulheres e a própria moda da época.

Referências

MILLER, Daniel. Por que a indumentária não é algo superficial. In: Trecos, troços e coisas: estudos antropológicos sobre a cultura material. Rio de Janeiro: Zahar, 2013. p. 21-65.

NEWMAN, Frances. Noctes Neapolitanae: Sir William Hamilton and Emma, Lady Hamilton at the Court of Ferdinand IV. Illinois Classical Studies, v. 27, p. 213-232, 2002.

RHINEHART, Robert. Romans on the Runway: Classical Reception in Contemporary High Fashion. 2021. 86f. Tese (Senior Honor em Estudos Clássicos) – Departamento de Clássicos, University of North Carolina, Chapel Hill, 2021.

ZUMTHOR, Paul. Performance, recepção, leitura. Ubu Editora LTDA-ME, 2018.

  • Renata Cristina S. de Oliveira

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